Tenho notado um padrão meio cansativo depois de ler toneladas de posts e “hacks” para profissionais de marketing e criadores de conteúdo. Sempre que o conteúdo não performa, o instinto imediato da galera é culpar a tática.
A gente assume logo que o problema foi o gancho fraco. Ou que postou na hora errada. Talvez faltou consistência ou o formato não agradou o algoritmo.
É reconfortante pensar assim, porque nos leva a acreditar que o crescimento está travado apenas por um detalhe de execução.
Só que, na minha experiência, um monte de conteúdo não vai mal porque foi mal feito. Ele vai mal porque a ideia por trás dele é vaga.
O abismo entre falar e se posicionar
A maioria dos criadores não tem um problema de produção de conteúdo. Eles têm um problema de pensamento.
Vejo muitos posts construídos apenas em cima de tópicos, em vez de posições claras. O sujeito explica as coisas sem decidir no que realmente acredita. Menciona problemas do mercado sem se comprometer com o motivo real desses problemas existirem.
O resultado é aquele conteúdo “morno”. Parece razoável, tecnicamente correto, mas não dá nada para as pessoas reagirem. Não tem atrito, não tem opinião, não tem vida.
Esse padrão se repete porque é seguro.
Pensar com clareza exige que você escolha um lado. Te força a simplificar uma ideia complexa e correr o risco de ser incompleto ou, pior, de estar errado. Pensar de forma vaga parece produtivo porque evita o conflito.
Você continua postando, cumprindo tabela, sem nunca ter que encarar o que você realmente quer dizer. A ironia é que tem muita gente trabalhando dobrado para evitar a clareza, quando gastaria metade da energia se simplesmente decidisse o que pensa antes de escrever.
Menos tática e mais clareza
Não estou convencido de que a maioria dos problemas de engajamento se resolve com uma execução melhor, um design mais bonito ou uma copy mais agressiva. Alguns problemas estão acima do conteúdo em si.
Eles nascem no momento em que você senta para planejar e decide não se aprofundar. Nascem quando você prefere o conforto do “mais do mesmo” em vez da exposição de uma ideia autêntica.
Então fica a dúvida – será que o seu conteúdo fracassa por causa de como ele é feito, ou por causa de como ele é pensado?