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Status Economy e como o consumo virou identidade no e-commerce

Status Economy e como o consumo virou identidade no e-commerce
Foto de Rod Lopes

Rod Lopes

Eu converso com donos de lojas virtuais quase toda semana e o roteiro das frustrações quase nunca muda. O tráfego pago encarece, os visitantes enchem os carrinhos, somem misteriosamente e a loja se vê obrigada a sacrificar a margem de lucro com cupons promocionais para conseguir bater a meta do mês.

A gente costuma culpar o algoritmo ou os concorrentes diretos por essa dificuldade. A tendência natural é pensar que o grande obstáculo da operação é aquela outra marca oferecendo uma modelagem parecida por dez reais a menos.

Mas as engrenagens do mercado online estão rodando sob regras bem diferentes ultimamente. Existe um movimento forte rolando que está sendo chamado de status economy que é o conceito que descreve a mudança de comportamento em que o consumidor passa a escolher produtos e marcas motivado pela expressão da sua própria identidade, estilo de vida e valores sociais, deixando as características técnicas ou a utilidade prática do item em segundo plano.

A lógica de comprar algo estritamente pela sua função perdeu muita força na internet. O ato de consumir funciona hoje como um espelho da própria personalidade de quem compra, transformando os pedidos que saem do seu estoque em ferramentas de comunicação social.

Quer ver alguns exemplos reais? Se liga, alguém decide pagar mais caro numa cafeteria porque lá tem um lindo quadro da Frida Kahlo – que ela nem sabe quem foi – mas que fica lindo na foto da sua xícara de café como se aquilo fosse parte do seu estilo de vida. Ele frequenta aa academia de musculação mais concorrida da cidade porque lá o personal publica video e marca ele, e isso o faz se sentir importante. Fica pior quando ela investe num hidratante cheio de ingredientes complexos porque essas escolhas sinalizam para o mundo os valores daquela pessoa.

Se o seu foco continua fixo em anunciar apenas a utilidade das peças, a briga comercial invariavelmente vai cair no leilão de preços baixos.

A estética pessoal guiando as vendas

Na prática, uma loja de moda feminina divide o orçamento da cliente com o restaurante recém-inaugurado e com a viagem curta de fim de semana.

Tudo pertence ao mesmo ecossistema visual que o consumidor faz questão de documentar e exibir nas redes sociais.

Apostar todas as fichas de crescimento em tráfego pago sem estruturar essa camada de percepção da marca cria um negócio extremamente frágil. Campanhas patrocinadas funcionam incrivelmente bem para amplificar o desejo de quem já está inclinado a comprar.

O problema mecânico acontece quando tentamos forçar a ferramenta de anúncios a gerar significado cultural de forma isolada.

Se a empresa não tem uma identidade clara, o Retorno Sobre Investimento apresenta altos e baixos agressivos e a necessidade de lançar ofertas vira um ciclo viciante.

Os números por trás dessa transição de mercado

Isso tem respaldo visível no comportamento do comprador brasileiro. Um levantamento bem detalhado mapeou que o posicionamento e a identidade visual das empresas influenciam a decisão exata de 54% dos consumidores na internet.

As pessoas reparam nos pequenos detalhes da embalagem, na linguagem adotada nos vídeos curtos e nas posturas públicas das empresas. Se o visitante rolar o feed, bater o olho na sua postagem e não reconhecer elementos do próprio estilo de vida ali, a rejeição do material acontece de forma instantânea.

Para entender com clareza essa virada de mesa no e-commerce, eu costumo dividir o modelo tradicional do modelo de status baseando a análise em alguns critérios centrais:

Critério de VendaE-commerce TradicionalStatus Economy
Foco de quem compraA utilidade prática daquele itemO que a aquisição diz sobre a pessoa
Concorrência realLojas do mesmo nicho e tamanhoExperiências que validem o mesmo estilo de vida
Motor de retençãoDependência de frete grátisAfinidade e sentido de pertencimento
Papel do conteúdoListar os atributos técnicos do estoqueConstruir um universo visual atraente
Métrica de saúde financeiraVolume bruto de transações isoladasGrau de relevância e previsibilidade de recompra

Os ajustes necessários na rotina de produção de conteúdo

Proteger o caixa da operação nessa fase demanda alguns ajustes na linha editorial que a sua equipe adota. Aquele formato de postagem engessado, totalmente voltado para mostrar a tabela de medidas de um produto, perde grande parte do efeito.

O material ganha força de conversão quando consegue responder de maneira indireta as dúvidas silenciosas de quem navega pelo seu site:

  • Que tipo de pessoa tem o costume de comprar dessa loja?
  • Qual imagem pessoal eu transmito ao aparecer publicamente usando esse item específico?
  • Eu encontro afinidade autêntica com o grupo de clientes mais fiéis dessa marca?

A relação das lojas com influenciadores também adquire um viés bem estratégico nesse momento. A influência atua como um atalho comportamental para validar a percepção externa de um negócio, deixando de lado o modelo antigo de apenas jogar links rastreáveis nos stories de hora em hora.

Quando alguém com grande autoridade num determinado nicho usa os seus produtos de maneira fluida, rola uma transferência automática de peso cultural para as suas vendas.

Trabalhar ativamente a ideia de comunidade amarra essa estratégia de retenção diária. Reunir compradores frequentes passa longe da ideia de empilhar contatos num grupo de mensagens criado com o único intuito de disparar ofertas na sexta-feira.

O mecanismo real serve para fazer o consumidor constatar que ele divide um espaço valioso com pessoas que enxergam a vida de um jeito muito parecido com o dele.

Para estabilizar o fluxo das vendas e blindar a sua loja de entrar nas brigas por desconto, estruturar o significado do que você vende se tornou o impulsionador mais importante de lucro.

O passo mais lógico para tirar esse conceito da teoria hoje mesmo é auditar o visual do seu Instagram e avaliar a fundo quais códigos culturais a sua empresa anda enviando para o público, antes de confirmar o orçamento na criação das próximas campanhas publicitárias.

Foto de Rod Lopes

Rod Lopes

Desde o século passado atuando no digital, ensino exatamente o que aplico na prática para mim e para clientes, integrando conhecimento técnico e visão estratégica de alto nível, sempre adaptado à sua realidade, não à dos outros.

Desenvolvo projetos que vão da arquitetura digital à gestão estratégica, integrando Automação e Inteligência Artificial como diferencial competitivo.

Com uma década de experiência na IBM, desenvolvi conhecimento técnico, estratégico e disciplina de execução que aplico hoje na construção de negócios digitais atrativos para o público-alvo.

Pós-graduado em Marketing e Mídias Digitais pela FGV, ministro Workshops Presenciais em Campinas e Região e Online para o Brasil e exterior, desenvolvendo habilidades digitais com foco profissional e visão de negócio.

Bio

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