Se você consome muito conteúdo de negócios, pode acabar acreditando que o mercado de marketing é habitado exclusivamente por pessoas obcecadas por hacks de crescimento e metodologias disruptivas.
Eu mesmo quase acredito nisso de vez em quando, até entrar numa chamada de vídeo e olhar para quem realmente está fazendo as coisas acontecerem.
O ecossistema de marketing brasileiro é bem mais pé no chão.
Um levantamento recente feito pela Serasa Experian resolveu mapear quem é o profissional de marketing no Brasil hoje. O resultado ajuda a limpar um pouco daquela fumaça corporativa que a gente vê por aí.
As mulheres são a base absoluta da nossa indústria do marketing e representam 60% de quem atua na área. O cruzamento de dados também mostra que a maioria desses profissionais pertence à classe B.
A pressão por trás das campanhas de marketing
Saber quem está do outro lado das planilhas explica muito sobre o nosso ritmo de trabalho. Estamos falando de um perfil de pessoas que precisa lidar com uma montanha de expectativas diariamente.
A diretoria cobra resultados cada vez mais rápidos. O dinheiro que entra para rodar uma campanha precisa justificar a própria existência quase em tempo real.
Alguém sempre vai perguntar qual foi o custo de aquisição daquele lead, qual o retorno exato sobre o investimento e se o engajamento está trazendo venda de verdade.
Para dar conta desse volume absurdo, a inteligência artificial virou meio que um bote salva-vidas. A gente vê o pessoal usando ferramentas novas o tempo todo para acelerar processos ou ter ideias de campanhas.
O problema é que isso acontece quase sempre de forma orgânica e desordenada. A empresa raramente senta e treina a equipe. O profissional de classe B, que já tem uma rotina apertada, precisa descobrir como a ferramenta funciona no meio do expediente para não ficar para trás.
Esse mapeamento da Serasa tem uma utilidade bem prática para quem atua na liderança. Quando você vai contratar ou promover alguém, entender que o seu time é formado majoritariamente por mulheres tentando equilibrar a pressão por metas com o aprendizado forçado de novas tecnologias muda tudo.
Fica muito mais fácil alinhar os objetivos da empresa com o suporte que essas pessoas realmente precisam para produzir direito.