Sempre que sai uma pesquisa nova sobre inteligência artificial, eu paro pra ler. Não porque eu precise de validação acadêmica pra saber o que sinto na pele operando negócios digitais, mas porque é interessante ver os dados confirmando, ou refutando, as nossas intuições.
Um estudo da Universidade da Pensilvânia tocou numa ferida aberta. Eles pegaram 442 pessoas e colocaram pra rodar tarefas criativas, tipo escrever histórias curtas.
Uma parte foi na raça, só com o cérebro humano mesmo, e a outra teve o auxílio do ChatGPT. A pergunta de um milhão de dólares era simples: será que a tecnologia transforma todo mundo num gênio criativo ou ela só dá um banho de loja na mediocridade?
O resultado é um tapa na cara de quem acha que a ferramenta faz milagre sozinha.
O nivelamento por cima (e o perigo disso)
O que os pesquisadores notaram foi fascinante e, sinceramente, bem óbvio pra quem usa isso todo dia.
Para a galera que tinha mais dificuldade, aqueles que talvez não tivessem um repertório tão vasto ou travavam diante da página em branco, a IA foi uma benção.
O desempenho desse grupo subiu drasticamente. A ferramenta funcionou como um equalizador, pegando quem estava na parte de baixo da tabela e jogando para um nível de competência bem aceitável.
É a democratização da escrita razoável.
Agora, quando olharam para os participantes que já eram naturalmente criativos, os “top performers”, a coisa mudou de figura. A ajuda da IA não fez o trabalho deles ficar muito melhor. Em alguns casos, a percepção é que a máquina até atrapalhou a singularidade.
E aqui entra o ponto que eu bato na tecla sempre.
A armadilha da padronização
O estudo apontou que as histórias criadas com ajuda da IA eram mais parecidas entre si. Elas tinham qualidade, sim, mas perdiam em variância. Ou seja, tudo começou a soar meio igual.
No mundo dos negócios, isso é um risco gigantesco. Se a gente usa a IA como muleta e não como trampolim, a tendência é criarmos uma internet pasteurizada.
Textos perfeitinhos, gramática impecável, estrutura lógica, mas sem alma, sem aquele ângulo bizarro que só um humano com vivência real consegue conectar.
A máquina trabalha com padrões probabilísticos. Ela te dá a resposta mais provável, a média do que já existe. Se você quer se destacar no mercado, a última coisa que você quer é ser a média.
Como eu aplico isso na prática
Eu não deixei de usar IA, longe disso. Ela é vital pra ganhar velocidade. Mas eu parei de pedir pra ela “ser criativa” por mim.
O valor do profissional hoje mudou de lugar. Antes, quem sabia escrever bem tinha o poder. Hoje, com a IA nivelando a escrita técnica, o poder está na curadoria e na direção de arte das ideias.
A ferramenta é ótima para tirar o inércia inicial. Sabe aquele momento que você não sabe por onde começar? Joga na IA. Ela te dá um rascunho nota 7.
O problema é que muita gente pega esse nota 7, publica e acha que abalou. O segredo está em pegar esse material e injetar a sua voz, a sua opinião controversa, o seu ritmo quebrado, o seu DNA – coisas que o algoritmo tenta suavizar.
Se a pesquisa mostrou que a IA diminui a variância das ideias, o seu trabalho é justamente devolver o caos para o texto.
A tecnologia levantou o piso. Ficou mais difícil ser péssimo. Mas o teto? O teto continua sendo definido por quem tem repertório, vivência e coragem de fugir do padrão que a máquina sugere.
A IA nivela o jogo, mas quem ganha o campeonato ainda é quem tem a melhor visão, não a melhor ferramenta.