Tenho acompanhado essa conversa sobre o novo papel de quem lidera o marketing e, sinceramente, a sensação é que o chão mudou de lugar.
Antigamente, o CMO era o “dono da ideia genial”, aquele cara que chegava com uma campanha visualmente impecável e pronto.
Hoje, se você não entender de integração de dados e como o seu “stack” de ferramentas conversa entre si, você está fora do jogo.
Não basta mais ter apenas criatividade, embora ela continue sendo o coração da coisa. O ponto é que agora a tecnologia virou o sistema nervoso.
O marketing deixou de ser só propaganda para virar gestão de tecnologia
Tem uma coisa que me incomoda um pouco nessa história toda. Vejo muita gente comprando ferramenta atrás de ferramenta, achando que o software vai resolver o problema de estratégia.
Na real, o que esse excesso de martechs fez foi exigir que as lideranças de marketing tivessem um pé muito forte no TI. Não dá mais para ser analfabeto funcional em tecnologia e querer gerir um orçamento milionário.
Eu mesmo já vi situações onde a empresa tinha vinte ferramentas assinadas e nenhuma delas se falava. O líder moderno precisa ser o maestro dessa bagunça. Ele tem que saber perguntar pro pessoal de dados se aquela automação faz sentido para a jornada do cliente ou se é só mais um custo fixo que não converte.
A ponte entre a tecnologia e o comportamento humano
Engraçado pensar que, quanto mais tecnologia a gente tem, mais difícil parece ser entender o que o cliente realmente quer.
As martechs (conjunto de tecnologias usadas para planejar, executar, medir e escalar estratégias de marketing de forma integrada e orientada por dados.) entregam o dado bruto, mas a interpretação desse dado ainda é uma habilidade muito humana.
O papel da liderança agora é justamente esse: não deixar que a tecnologia engula a empatia.
A gente foca tanto em “atribuição”, “conversão” e “LTV” que às vezes esquece que tem uma pessoa do outro lado da tela cansada de receber e-mail genérico. O líder que se destaca hoje é aquele que usa a martech para escalar o que é pessoal, e não para automatizar a chatice.
Cultura de teste vale mais que qualquer software caro
Outro ponto fundamental que esse movimento trouxe é a agilidade. No modelo antigo, a gente planejava o ano inteiro e executava. Hoje, se você não tiver uma cultura de experimentação, sua martech é um carro de Fórmula 1 parado na garagem.
As lideranças de marketing precisam fomentar um ambiente onde errar pequeno e rápido seja parte do processo. É quase como se o marketing tivesse virado um laboratório contínuo.
Se você não está testando uma nova abordagem de segmentação ou uma ferramenta de IA toda semana, você já está atrasado.
No fundo, essa nova era não é sobre máquinas, é sobre como a gente lidera pessoas para usarem essas máquinas com inteligência e, principalmente, com propósito.
O segredo não está na ferramenta mais cara do mercado, mas na capacidade de conectar os pontos entre o que a tecnologia oferece e o que o consumidor realmente sente na pele.