Estou vendo muita gente ansiosa, quase desesperada, tentando prever qual será a “próxima grande coisa” que vai salvar o faturamento do mês que vem.
Mas se você parar para observar o cenário com um pouco de frieza, vai perceber que estamos caminhando para um momento de ruptura. Não é sobre uma nova ferramenta de IA ou um hack de algoritmo, é algo mais profundo.
Li recentemente uma reflexão interessante no Meio & Mensagem que toca exatamente nesse ponto e resolvi trazer essa conversa pra cá, filtrando o corporativês e indo direto ao que interessa para quem tem boleto da empresa para pagar. A tese é que 2026 será o ano do “chega de conversa fiada”.
Parece distante, mas no ritmo que as coisas mudam, 2026 é basicamente depois de amanhã. E o que vai acontecer é uma separação brutal entre o que se fala sobre marketing e o que realmente funciona no marketing.
O fim da era dos palpiteiros de palco
A gente viveu nos últimos anos uma inflação de discursos. Todo mundo virou especialista, todo mundo tem uma fórmula mágica e o LinkedIn virou um concurso de poesia corporativa. Só que o mercado, que não é bobo nem nada, está cansando.
A paciência para métricas de vaidade está acabando. Sabe aquele relatório lindo, cheio de gráficos coloridos sobre “engajamento” e “brand awareness” que não se traduz em vendas? Ele vai para o lixo. A tendência é um pragmatismo quase cruel.
Empresas e empreendedores vão parar de pagar por barulho. A prioridade vai ser, mais do que nunca, a eficiência. E não estou falando daquela eficiência teórica de livros de administração, estou falando de CAC (Custo de Aquisição de Clientes) controlado, LTV (Lifetime Value) saudável e dinheiro no caixa.
Se a sua estratégia de marketing depende de “hypes” momentâneos para funcionar, sugiro rever isso agora porque quando a maré baixar em 2026, quem não tiver fundamento sólido vai passar vergonha.
A tecnologia vai virar commodity (ainda mais)
Tem muita gente apostando todas as fichas na Inteligência Artificial como o grande diferencial. E claro, a IA é incrível, eu uso, você usa, todo mundo usa. Mas é justamente aí que mora o perigo.
Se todo mundo tem acesso às mesmas ferramentas, a ferramenta deixa de ser uma vantagem competitiva e vira o padrão básico. O “bom texto” gerado por IA vai ser o piso, não o teto. O diferencial volta a ser aquilo que a máquina ainda apanha para fazer: entender a alma humana, ter contexto real e criar conexões que não pareçam robóticas.
Em 2026, a tecnologia será invisível. Ninguém vai querer saber qual software você usou, mas sim se você entendeu a dor do cliente e resolveu o problema dele. A discussão vai sair do “como fazer” (técnico) para o “por que fazer” (estratégico) e quem ficar preso discutindo prompt vai ser engolido por quem estiver discutindo negócio.
Menos espuma e mais café
O que eu sinto é que estamos voltando, de certa forma, aos princípios básicos do comércio, só que em escala digital.
Durante um tempo, a gente se iludiu achando que o digital era um mundo à parte, onde as regras da economia não se aplicavam. Que dava para queimar caixa infinitamente em troca de crescimento.
Essa festa acabou.
O marketing que vai sobrar é aquele que respeita a inteligência do consumidor e a saúde financeira da empresa. É o marketing que não promete milagres, mas entrega consistência.
Isso significa que o profissional de marketing – ou o dono do negócio que cuida disso – vai precisar ser menos “criativo de agência” e mais “diretor financeiro”. Vai precisar entender de margem de lucro, de logística, de atendimento ao cliente.
O marketing deixa de ser um departamento isolado que faz post bonitinho e passa a ser o motor integrado de receita da empresa.
Então, se você quer se preparar para esse divisor de águas que 2026 promete ser, meu conselho é simples: pare de seguir a manada que corre atrás da trend da semana.
Foque em construir ativos reais – lista de clientes, reputação sólida, produto bom – e aprenda a medir o que realmente importa. O resto é só barulho, e barulho não paga conta.