Vi um comentário no Threads outro dia que me fez parar pra pensar por uns bons minutos. A frase era algo como “se você tem um negócio, mantenha as pessoas fofoqueiras por perto e muito bem informadas”.
No começo parece piada, mas se você analisar o comportamento humano por trás disso, é puro suco de estratégia de marketing orgânico.
A gente costuma ver a fofoca como algo negativo, né? Mas no mundo dos negócios, especialmente no pequeno e médio, a fofoca é apenas informação circulando com alta velocidade.
Tem gente que tem essa necessidade quase física de saber das coisas primeiro para poder contar depois. É uma espécie de “moeda social”. O fofoqueiro não quer necessariamente o seu mal, ele só quer ser a pessoa que tem o que falar na mesa do bar ou na cadeira do salão.
Onde os hubs de informação se escondem
Pensa comigo no salão de beleza, por exemplo. A manicure ou o cabeleireiro passam o dia inteiro ouvindo e contando histórias. Eles são verdadeiros hubs de conexão. Se você chega lá e conta – de um jeito natural, claro – que seu novo projeto tá decolando ou que seu serviço resolve um problemão, essa informação não vai ficar parada ali. Ela com certeza vai ser replicada para as próximas clientes.
O mesmo vale para o personal trainer da academia ou aquele dono de padaria que conhece todo mundo pelo nome. Essas pessoas são os algoritmos da vida real. Elas entregam o seu conteúdo para o público certo sem que você precise investir um centavo em tráfego pago. O segredo é saber alimentar esse canal.
Transformando o falatório em propaganda gratuita
A grande sacada aqui é garantir que a “fofoca” seja das boas. Não adianta nada ser o assunto da cidade porque o seu serviço é lento ou porque você trata mal os fornecedores. A ideia é dar munição positiva para quem gosta de falar.
Eu já percebi que, quando eu conto uma novidade interessante para um amigo que é visivelmente mais comunicativo e “conectado”, o alcance dessa notícia é dez vezes maior do que se eu postasse apenas no meu LinkedIn ou no meu Instagram. É um boca a boca turbinado.
As pessoas confiam muito mais no que o cabeleireiro diz sobre um serviço do que em um anúncio que aparece no meio dos stories. Existe um filtro de humanidade ali que nenhuma inteligência artificial consegue replicar.
O valor de ser reconhecido pelo nome
Sabe aquele dono de restaurante que te cumprimenta e já sabe o que você vai pedir? Manter esse cara informado sobre o que você faz é ouro puro. Ele é o ponto de encontro de outros empresários e potenciais clientes.
Se alguém comenta na mesa dele que está precisando de “X”, a primeira coisa que vai vir na cabeça dele é a conversa que vocês tiveram na semana passada.
Mas atenção, não é pra você ser interesseiro, é pra você ser interessante. É entender que os negócios acontecem nas brechas das conversas informais.
A gente gasta tanto tempo tentando entender os algoritmo do Instagram, que às vezes esquece de olhar para as pessoas que estão fisicamente ao nosso redor e que adorariam ter uma história boa para contar sobre a gente.
O networking mais eficiente pode estar acontecendo agora mesmo, naquela conversa fiada enquanto você espera o café ficar pronto e nem está percebendo.
Você já parou pra pensar em quem são os “fofoqueiros estratégicos” do seu círculo? Talvez esteja na hora de pagar um café pra eles e contar as novidades.