Passei boa parte do último ano tentando fazer o que todo mundo faz: criar projetos paralelos que pareciam geniais na minha cabeça, mas que morriam na praia sem um centavo no bolso.
O roteiro era sempre o mesmo, eu tinha uma ideia, me trancava no quarto para construir e, na hora de lançar, o silêncio era ensurdecedor. Eu estava construindo soluções para problemas que talvez nem existissem.
Desta vez, mudei o jogo. Nos últimos dez meses, um único projeto me rendeu R$ 40 mil reais. Não foi sorte, foi uma mudança bruta de postura que me tirou do amadorismo.
O hábito de ser um colecionador de problemas
A primeira coisa que parei de fazer foi esperar por “grandes ideias”. Ideias são baratas e, geralmente, enganosas. Comecei a focar em problemas. Sempre que eu sentia uma frustração pessoal ou via alguém reclamando de algo nas redes sociais, eu anotava.
Uso uma nota simples no celular, nada sofisticado. A maioria das anotações é lixo, mas quando você tem dezenas de pontos de dor registrados, alguns começam a brilhar. Foi assim que nasceu a IA Content Flow. Eu não tirei ela da cartola, ela veio de uma lista de problemas reais que eu vi as pessoas enfrentando.
Validar dói mas economiza meses de vida
Essa foi a virada de chave mais difícil para o meu ego. Em vez de abrir o editor de código, fui para o Reddit e outros foruns perguntar. Eu literalmente perguntei se as pessoas pagariam por uma automação de conteúdo para blogs e redes sociais.
Fiz perguntas diretas para empreendedores e criadores de conteúdo: qual sua maior dificuldade hoje? Você gostaria de aprender algo que te economizasse pelo menos 6h por semana e ainda te faria economizar uma fortuna com agências e freelancers e te traria paz de espírito e mais tempo livre?
Quando o feedback veio positivo e as pessoas começaram a perguntar “onde eu compro?”, eu soube que tinha algo nas mãos. Se eu tivesse ignorado essa etapa, provavelmente estaria hoje com mais um projeto fantasma no meu portfólio.
Deixar o usuário escrever o roadmap por mim
Depois que lancei o MVP, o mínimo produto viável, eu parei de tentar ser o visionário. Eu me tornei um ouvinte. Mantive um canal aberto com cada usuário inicial, perguntando o que faltava e o que faria eles pagarem mais caro ou indicarem para um amigo.
Isso tira um peso enorme das costas porque você não precisa mais adivinhar o que construir. Se cinco pessoas pedem o mesmo recurso, ele vira prioridade. É simples, direto e evita desperdício de energia com funcionalidades que ninguém vai usar.
A matemática fria que dobra o faturamento
Eu confesso que negligenciava métricas no começo. Achava que era coisa de empresa grande. Mas quando comecei a olhar para a taxa de conversão da minha página, tudo mudou.
No início, só 4% dos visitantes se convertiam. Comecei a testar títulos diferentes, mudar a posição dos botões e explicar melhor o valor do produto. Quando essa taxa subiu para 9%, minha receita dobrou sem que eu precisasse de um único visitante novo.
É o tipo de eficiência que você só alcança quando para de olhar para o código e começa a olhar para os dados.
Focar em quem já está com a carteira na mão
O segredo de ouro foi parar de olhar para reclamações genéricas e focar em problemas com intenção de compra. Essas pessoas não estão apenas resmungando, elas já estão gastando dinheiro para tentar resolver um problema.
Se você chega com uma solução melhor ou mais barata para algo que já dói no bolso delas, a venda é quase natural.
A grande lição desses 40 mil reais não foi técnica. Foi sobre humildade. Tive que falhar muito para entender que o mercado não se importa com o quão inteligente eu sou, ele só se importa em ter seus problemas resolvidos.
Se você ainda não acertou a mão, talvez o que falte não seja mais código, mas sim uma conversa real com quem tem um problema para resolver.