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Escassez de talentos em tecnologia atinge as empresas no Brasil

Escassez de talentos em tecnologia atinge as empresas no Brasil
Foto de Rod Lopes

Rod Lopes

A gente escuta o tempo todo que a inteligência artificial vai engolir os empregos. Eu abro o feed e vejo especialistas garantindo que os algoritmos farão o trabalho de grande parte da população em poucos anos.

Quem vive o dia a dia das operações sabe que a dor real do mercado segue por outro caminho. A verdade é que falta gente.

Bati o olho num levantamento recente que escancara um cenário que venho notando nas consultorias e reuniões. Noventa e oito por cento das médias e grandes empresas brasileiras relatam dificuldade constante para encontrar profissionais qualificados em tecnologia.

Quase todas as corporações com faturamento relevante estão com vagas abertas e não conseguem fechar o quadro.

O ponto de atrito nas contratações mudou. Durante muitos anos, dominar uma linguagem de programação ou a arquitetura de um sistema já carimbava o crachá. A régua de exigência subiu bastante desde que as ferramentas automatizaram a parte repetitiva do trabalho.

A barreira do comportamento e a comunicação técnica

Os números da pesquisa mostram uma realidade dura para quem passa anos afiando apenas a capacidade de programar. Trinta e sete por cento dos currículos considerados impecáveis tecnicamente são rejeitados logo nas primeiras entrevistas.

O motivo costuma ser a total ausência de habilidades comportamentais.

O candidato escreve um código excelente. O problema é que ele encontra barreiras para lidar com a equipe, sofre para explicar uma ideia com clareza para líderes de outros departamentos e tem pouca visão sobre o modelo de negócio da empresa onde quer entrar.

O inglês continua sendo um filtro impiedoso. Setenta e oito por cento das organizações simplesmente desclassificam candidatos sem domínio do idioma.

Isso bate de frente com a minha vivência estruturando e observando negócios digitais. Já perdi as contas de quantas vezes vi ideias excelentes patinando por meses na gaveta. O dinheiro estava aprovado, o escopo estava desenhado, a infraestrutura existia. Faltava exatamente alguém que fizesse a ponte entre a tecnologia bruta e o problema real do cliente.

A velocidade das inovações atropelou a capacidade do mercado de formar pessoas que unem técnica e visão prática.

Na pesquisa, eles pontuam que para a inteligência artificial gerar impacto financeiro, as organizações precisam de pessoas que saibam transformar um alto volume de dados em uma decisão de negócio viável.

A máquina compila os números com uma velocidade assustadora. O humano precisa ter o repertório para decidir o próximo passo lógico baseado naquela informação.

Saber utilizar os softwares virou apenas o requisito básico para conseguir uma entrevista. O gargalo corporativo mora na capacidade de traduzir toda essa complexidade em resultados palpáveis para a empresa, e quem desenvolve essa articulação acaba ganhando a liberdade de escolher os próprios prazos e os locais onde prefere trabalhar.

Foto de Rod Lopes

Rod Lopes

Desde o século passado atuando no digital, ensino exatamente o que aplico na prática para mim e para clientes, integrando conhecimento técnico e visão estratégica de alto nível, sempre adaptado à sua realidade, não à dos outros.

Desenvolvo projetos que vão da arquitetura digital à gestão estratégica, integrando Automação e Inteligência Artificial como diferencial competitivo.

Com uma década de experiência na IBM, desenvolvi conhecimento técnico, estratégico e disciplina de execução que aplico hoje na construção de negócios digitais atrativos para o público-alvo.

Pós-graduado em Marketing e Mídias Digitais pela FGV, ministro Workshops Presenciais em Campinas e Região e Online para o Brasil e exterior, desenvolvendo habilidades digitais com foco profissional e visão de negócio.

Bio

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