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Marketing e varejo sofrem com alto risco de burnout no Brasil

Marketing e varejo sofrem com alto risco de burnout no Brasil
Foto de Rod Lopes

Rod Lopes

Sempre observei como a gente normaliza o desgaste diário nas empresas. Você entra numa reunião de alinhamento e metade da equipe parece estar funcionando no piloto automático, vivendo à base de café e prazos irreais.

Acabei de ler um artigo na Forbes detalhando uma pesquisa da Gupy sobre saúde mental e os números confirmam o que a gente já sente na pele.

Tivemos um recorde de afastamentos por burnout no ano passado. E agora, com a nova regra NR-1 batendo na porta a partir de 2026, as lideranças finalmente estão sendo obrigadas a olhar para o esgotamento extremo como um risco de negócio gravíssimo.

O dado que mais chamou minha atenção foi a lista dos setores onde o alerta vermelho está piscando mais forte.

Varejo e atacado lideram com quase 11% dos profissionais na faixa crítica. Logo atrás vêm educação e a minha velha conhecida área de marketing e comunicação.

Se você já trabalhou em qualquer um desses mercados, sabe exatamente o motivo da exaustão. São atividades de contato direto e intenso com o público.

No marketing, por exemplo, a gente convive com a pressão diária de metas agressivas, campanhas que mudam de rumo do nada e aquela jornada de trabalho que simplesmente não tem hora para acabar.

Você deita a cabeça no travesseiro pensando no custo de aquisição de clientes e acorda respondendo mensagem de cliente apavorado.

A pesquisa aponta que 4 em cada 10 profissionais sinalizam algum tipo de risco psicossocial. Isso envolve desde um ambiente de trabalho hostil até volumes de entrega que beiram o impossível.

E aqui entra uma mudança de perspectiva necessária. A Organização Mundial da Saúde trata a síndrome como um fenômeno ocupacional.

O adoecimento acontece devido às condições estruturais da empresa e ao acúmulo desproporcional de demandas, enterrando de vez a velha desculpa de que o funcionário simplesmente tem uma fragilidade individual.

A tabela de risco traz o varejo, a educação e o marketing no topo, mas também mostra setores como finanças com números baixos, na casa dos 3%.

SetorRisco de Burnout (%)
Varejo e Atacado10,79%
Educação9,87%
Marketing, Publicidade e Comunicação9,67%
Hotelaria e Restaurante9,55%
Setor Público / ONGs9,14%
Arte e Lazer8,38%
Serviços de Saúde7,15%
Consultoria6,04%
Indústria5,40%
Tecnologia e Software4,95%
Transporte e Logística4,86%
Agronegócio4,70%
Serviços4,58%
Governo e Órgãos Públicos4,42%
Construção Civil3,82%
Utilidade Pública (energia, água, telefonia etc.)3,70%
Financeiro3,20%

A própria pesquisa faz um aviso importante sobre isso. Em mercados onde a exigência e a cultura da performance são extremas, as pessoas escondem a exaustão por medo de perder o emprego ou de parecerem fracas.

O problema continua lá, apenas camuflado sob a cultura do silêncio.

Para quem está na cadeira de liderança, o caminho para melhorar esse cenário exige ações práticas diárias. A gente precisa intervir na gestão da carga de trabalho real da equipe.

Estabelecer pausas viáveis, oferecer suporte emocional de verdade e garantir segurança psicológica para que o time possa levantar a mão e dizer que não dá conta antes de estourar.

O volume de afastamentos e a alta rotatividade de talentos já estão custando uma fortuna para as empresas que insistem em ignorar os sinais de fumaça.

Foto de Rod Lopes

Rod Lopes

Desde o século passado atuando no digital, ensino exatamente o que aplico na prática para mim e para clientes, integrando conhecimento técnico e visão estratégica de alto nível, sempre adaptado à sua realidade, não à dos outros.

Desenvolvo projetos que vão da arquitetura digital à gestão estratégica, integrando Automação e Inteligência Artificial como diferencial competitivo.

Com uma década de experiência na IBM, desenvolvi conhecimento técnico, estratégico e disciplina de execução que aplico hoje na construção de negócios digitais atrativos para o público-alvo.

Pós-graduado em Marketing e Mídias Digitais pela FGV, ministro Workshops Presenciais em Campinas e Região e Online para o Brasil e exterior, desenvolvendo habilidades digitais com foco profissional e visão de negócio.

Bio

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