Olha, eu acompanho esse mercado digital há tempo suficiente para saber que, vira e mexe, aparece algum projeto de lei tentando colocar em uma caixa o que a gente faz na internet.
Dessa vez, a coisa parece que andou de um jeito mais sério com essa história da regulamentação da profissão de multimídia. A Lei 15.325, de 2026 chegou para atualizar uma regra lá dos anos 70, da época que rádio e TV eram os únicos donos do pedaço, e agora incluiu funções que hoje são o arroz com feijão de qualquer agência ou operação de conteúdo.
Sendo bem sincero, essa atualização era necessária. Não dava mais para fingir que quem trabalha com som, imagem e edição no digital estava sob o guarda-chuva de uma lei pensada para a era do vinil.
O texto agora fala diretamente sobre profissionais que atuam na criação, tratamento e difusão de conteúdos em mídias eletrônicas. Isso mexe com quem edita vídeo, quem cuida de áudio e até com quem está no comando da estratégia de distribuição.
Mas aqui entra o meu lado mais “vivido” nos negócios. Toda vez que o Estado tenta organizar um setor que cresceu organicamente na base da agilidade e da inovação, eu fico com um pé atrás.
O mercado digital sempre foi um terreno de liberdade, onde o talento e o resultado falavam mais alto que qualquer diploma ou registro profissional. Agora, com essa categoria de “multimídia”, surge de novo a conversa sobre o DRT, aquele registro que antes era restrito aos radialistas e atores.
Eu já vi muita agência pequena se virando nos trinta, com profissionais que fazem de tudo um pouco, o famoso “eu-preendedor” ou o time de duas pessoas que produz conteúdo de cinema com um celular. Se a gente começar a burocratizar demais o acesso a essas funções, corre-se o risco de criar barreiras para quem está começando.
Por outro lado, entendo que ter uma definição legal pode ajudar em questões trabalhistas e dar uma casca de profissão séria para quem ainda é visto pela família como “o sobrinho que fica na internet”.
Na prática, o que muda é que essas atividades agora têm um nome oficial perante a lei. Se você trabalha com edição de imagem para um canal no YouTube ou produz podcasts em série, a sua realidade agora está mapeada.
É um passo em direção à formalização, mas espero que isso não venha acompanhado de uma lentidão que o nosso ritmo de trabalho não suporta.
No marketing digital, o que era tendência ontem já é passado hoje, e as leis, como a gente sabe, não costumam ter essa mesma velocidade.
O impacto nas agências também vai ser interessante de observar. Contratos, descrições de cargos e até a forma de contratar freelancers podem sofrer ajustes. É aquele tipo de mudança que a gente olha, estuda, mas só sente o efeito real quando o primeiro problema jurídico ou a primeira fiscalização bate na porta.
Por enquanto, o melhor é entender que o jogo ganhou novas regras no papel, mas o campo de batalha continua sendo a atenção do público e a qualidade do que a gente entrega.