Olha, se tem uma coisa que o tempo me ensinou no digital é que a gente adora se enganar com fórmulas prontas.
No começo, eu acreditava piamente naquela história de que basta ter consistência e um SEO bem feito que o sucesso é inevitável. Mas a verdade é bem mais amarga e, sinceramente, muito mais útil quando você finalmente a aceita.
A lição mais dura que aprendi é que você não consegue obrigar ninguém a se interessar por algo que ela simplesmente não quer. Parece óbvio, né? Mas a maioria de nós gasta meses produzindo conteúdos densos, educativos e profundos, tentando convencer o público de que ele tem um problema que ele ainda nem sente que tem.
O marketing de conteúdo, na prática real da coisa, não tem o poder de criar demanda do zero. Ele é, na verdade, uma ferramenta de captura.
Eu já perdi muito tempo tentando ser o professor de quem não queria sentar na cadeira da escola. Eu escrevia guias sobre ferramentas complexas enquanto o meu cliente só queria saber como resolver uma dor de cabeça imediata e pontual.
O erro clássico aqui é o ego do criador de conteúdo, que quer mostrar autoridade em vez de ser útil no nível em que o outro está.
Quando eu parei de tentar doutrinar as pessoas e comecei a aparecer onde elas já estavam fazendo perguntas, o jogo mudou.
Se alguém está procurando por “como organizar o fluxo de caixa no Excel“, não adianta eu tentar empurrar um artigo filosófico sobre a importância da gestão disruptiva na era da inteligência artificial. A pessoa quer a planilha, ela quer o passo a passo de agora.
O mito de educar o mercado
Essa história de “educar o mercado” é linda nos livros de marketing de grandes corporações com orçamentos infinitos. Para quem está no campo de batalha do dia a dia, tentar criar um desejo que não existe é um ralo de dinheiro e energia.
O conteúdo que realmente converte é aquele que encontra a intenção que já está queimando na cabeça do usuário. É sobre ser o alívio para uma coceira que ele já sente, não tentar convencê-lo de que ele vai ter uma coceira daqui a seis meses.
Hoje, quando sento para planejar qualquer coisa, a primeira pergunta que me faço não é “o que eu quero ensinar?”, mas sim “o que eles já estão buscando desesperadamente?”.
É uma mudança sutil de perspectiva, mas que separa quem tem uma audiência de quem só tem um arquivo de textos que ninguém lê.
A gente precisa aceitar que o conteúdo é um facilitador de encontros.
Se você se posiciona no caminho de quem já está caminhando para algum lugar, é muito mais fácil oferecer uma carona. Tentar arrastar alguém para uma estrada que ela não escolheu é o caminho mais curto para a frustração.