Sabe aquela conversa de churrasco onde sempre aparece alguém dizendo que marketing é “só postar umas fotos bonitas” ou que o sobrinho de 15 anos resolve o tráfego pago da empresa? Pois é.
Quem está no campo de batalha todo santo dia, lidando com orçamento real e meta de venda batendo na porta, sabe que a distância entre a percepção do leigo e a realidade técnica é um abismo.
Já perdi a conta de quantas vezes ouvi que bastava colocar 100 reais no Google para a mágica acontecer. Se fosse assim, o mundo estaria cheio de milionários por acidente.
Na prática, o que a gente faz é equilibrar uma dezena de pratinhos que o cliente nem imagina que existem.
O abismo entre o post bonitinho e o resultado no caixa
O marketing de verdade não vive de curtida, ele vive de contexto. Enquanto do lado de fora as pessoas acham que é só impulsionar, aqui dentro a gente está quebrando a cabeça com a API de conversão que parou de mandar dados ou tentando entender por que o CAC – o custo de aquisição – deu um salto no meio da semana.
Não é só sobre criatividade, é sobre infraestrutura. Hoje, se você não entende de Server-Side Tagging ou não sabe olhar para um dashboard no Looker Studio e extrair uma decisão dali, você só está queimando dinheiro.
E olha que eu nem entrei no mérito do “depende”, a resposta favorita de dez entre dez profissionais sérios. E não é por falta de vontade de dar uma resposta direta, mas porque o que funciona para um e-commerce de moda em tricot feminina raramente vai performar igual para um serviço de consultoria B2B.
A ilusão do investimento milagroso e a rotina técnica
Outra coisa que me cansa é essa ideia de que marketing digital é um bilhete de loteria. “Vou investir mil reais e vender um milhão, né?”. Talvez em 2012, quando tudo era mato. Hoje o jogo é de margem, de teste A/B infinito e de otimização de funil.
A gente passa horas analisando a jornada do cliente para descobrir em qual etapa ele está desistindo do carrinho. É um trabalho de formiguinha técnica. Você ajusta o copywriting aqui, troca um gancho no storytelling ali, negativa umas palavras-chave no Google Ads que estão trazendo tráfego sujo e reza para o algoritmo do Meta estar de bom humor naquele dia.
O marketing profissional é denso. Envolve branding, que é algo que muita gente acha que é só logo, mas que na verdade é o que sustenta o preço do seu produto no longo prazo. Envolve entender de arquitetura de dados para o Google Analytics 4 não te entregar um relatório mentiroso.
No fim do dia, quem faz marketing de verdade não está preocupado com o filtro da foto, mas sim em como o LTV – o valor que o cliente deixa na empresa ao longo do tempo – vai pagar a conta de aquisição que só sobe a cada ano.
É menos glamour e muito mais planilha do que o seu vizinho imagina.