Muita gente olha para a automação e inteligência artificial como se fosse uma espécie de interruptor mágico. Você vai lá, aperta o botão e, do dia para a noite, a empresa vira uma máquina de eficiência.
Na prática, a realidade é bem mais parecida com subir uma escada, se você tentar pular do primeiro para o quinto degrau sem preparo, o tombo é certo.
Eu já vi muito empreendedor gastar uma fortuna em ferramentas caríssimas só para descobrir que o processo interno era tão bagunçado que a ferramenta só serviu para acelerar o caos.
É o que o pessoal do mercado chama de automação sem rumo. Para não cair nessa, entender em que nível de maturidade você está não é burocracia, é sobrevivência.
No começo, no nível zero, é tudo no braço. É aquele cenário clássico de “eu faço tudo”, onde o conhecimento está só na cabeça das pessoas.
Se o responsável pelo financeiro ou pelo marketing gripa, a empresa para. É uma fase necessária no início, mas é perigosa se você se acomodar nela.
Depois a coisa começa a ganhar corpo e surgem as iniciativas isoladas. Sabe quando o time de vendas usa um CRM básico, mas ele não conversa com o pessoal que cuida do pós-venda? Pois é. Existe automação, mas ela está em silos. É melhor que nada, claro, mas ainda falta aquela visão de conjunto que faz o negócio escalar de verdade.
Para ilustrar isso de um jeito que todo mundo sente na pele, vamos pensar na automação de conteúdo para redes sociais.
No nível básico, você tem alguém que lembra de postar no susto, abre o Instagram, digita algo rápido e solta. No nível intermediário, você já usa uma ferramenta para agendar os posts do mês inteiro.
Já ajuda, mas se acontecer uma crise ou uma mudança de tendência, aquele conteúdo agendado pode parecer totalmente fora de tom.
Já numa maturidade maior, a automação não é só sobre “postar”, mas sobre entender o que está acontecendo. O sistema identifica quais formatos estão performando melhor, sugere ajustes e até distribui o conteúdo em horários diferentes baseados no comportamento real da audiência, integrando isso com o seu funil de vendas.
Você não está mais só automatizando a tarefa, está automatizando a inteligência do processo. A grande virada acontece quando a automação deixa de ser algo que você faz e passa a ser como o negócio funciona.
É o estágio onde os processos são monitorados em tempo real e os erros são corrigidos quase que automaticamente. Mas chegar lá exige paciência e, principalmente, processo.
Não adianta querer IA de última geração se o seu fluxo de trabalho ainda é uma planilha de Excel cheia de erros manuais.
O segredo não está na ferramenta mais cara do momento, mas em saber exatamente onde você pisa hoje para conseguir dar o próximo passo com segurança.
Automação de verdade é sobre liberdade para focar no que é estratégico, e não sobre se tornar escravo de um software complexo que ninguém sabe operar direito.