Sabe aquele cansaço que bate no meio da tarde, não porque você trabalhou demais, mas porque passou o dia inteiro pulando de aba em aba no navegador? Pois é. Recentemente me deparei com um termo que resume bem essa bagunça: workslop.
A ideia é simples e, ao mesmo tempo, desesperadora. A gente vive em uma era onde “ter a ferramenta certa” virou uma obsessão.
O problema é que, na prática, o que era para ajudar virou um ruído ensurdecedor. É notificação de Slack, mensagem no WhatsApp, card no Trello, e-mail que não para de chegar e, no fim das contas, a sensação é de que a gente trabalha para alimentar os sistemas, e não o contrário.
Eu vejo isso direto no mundo dos negócios online. O sujeito quer escalar, aí contrata cinco ferramentas diferentes que não se conversam. O resultado? Uma fragmentação absurda.
A informação fica espalhada, ninguém sabe onde está a última versão de nada e o tempo que deveria ser gasto criando algo de valor é jogado fora em “gestão de caos”.
O custo invisível da fragmentação
Quando os sistemas não se falam, quem faz a ponte é o cérebro do funcionário. E o cérebro humano não foi feito para ser um cabo de conexão entre softwares.
Esse vai e vem mental gera uma fadiga que os indicadores de produtividade raramente conseguem medir de imediato, mas que aparece no longo prazo como burnout ou rotatividade alta.
O artigo da Você RH toca num ponto que eu concordo plenamente: a produtividade está sendo sufocada pelo excesso. A gente consome informação demais e processa de menos. É um paradoxo, temos acesso a tudo, mas não conseguimos focar em nada.
Como fugir do lamaçal digital
Não existe fórmula mágica, mas tem um exercício que eu gosto de fazer de tempos em tempos: a dieta de ferramentas. Se uma plataforma não economiza tempo real ou não centraliza o que é vital, ela provavelmente é só mais uma camada de workslop na sua vida.
As empresas precisam entender que eficiência não é sobre quantas ferramentas o time domina, mas sobre o quão fluido é o caminho entre a ideia e a execução. Se o processo é burocrático e digitalmente poluído, a inovação morre antes de chegar no mercado.
Outro dia conversei com um parceiro que estava orgulhoso de ter implementado uma IA para resumir as reuniões. Perguntei se ele tinha diminuído o número de reuniões. A resposta foi um silêncio constrangedor.
Não adianta colocar um motor de Ferrari num carro que está atolado na lama, entende? O foco deveria ser tirar o carro do atoleiro primeiro.
Reduzir o ruído é, hoje, a maior vantagem competitiva que alguém pode ter. Quem consegue manter a clareza mental em meio a esse barulho todo ganha o jogo, simplesmente porque consegue pensar, enquanto o resto do mundo está apenas tentando fechar as abas do navegador.