A vida no digital, ou em qualquer negócio que exija performance mental, é uma montanha-russa. Tem dia que você acorda pronto para dominar o mundo e, duas horas depois, está encarando a tela do computador sem conseguir formular uma frase.
A gente tende a achar que precisa de grandes revoluções para resolver esses bloqueios. Terapia EMDR profunda, férias nas Maldivas ou um retiro espiritual.
Tudo isso é ótimo, claro, mas na rotina de terça-feira à tarde, a gente precisa de soluções rápidas. “Hacks” de estado emocional, se preferir chamar assim.
Ao longo dos anos, percebi que cada sensação ruim tem um “antídoto” quase imediato. Não é sobre curar a causa raiz naquele segundo, mas sobre mudar a chave para conseguir seguir em frente.
Quando a cabeça vira um labirinto
Talvez o problema mais comum para quem trabalha com intelecto seja o overthinking – pensar demais. Você fica repassando cenários, criando problemas que não existem e travando.
A solução que funciona pra mim é simples: escrever. Tira da cabeça e bota no papel (ou no bloco de notas). Quando você materializa o pensamento, ele perde aquele poder assustador de monstro imaginário e vira só um parágrafo que você pode editar ou apagar.
Agora, se o problema é ansiedade pura, aquele aperto no peito e respiração curta, escrever pode não bastar. O corpo está pedindo uma pausa forçada. Meditar é o caminho aqui. E não precisa ser uma hora em posição de lótus. Cinco minutos focado apenas em respirar já reiniciam o sistema.
O corpo fala (e reclama)
Tem vezes que a gente confunde tudo. Acha que está desmotivado, mas na verdade está apenas cansado.
A cultura do “hustle” ensinou a gente a ignorar o sono, o que é uma burrice tremenda.
Se está exausto, a resposta é tirar um cochilo. Vinte minutos. É reparador e devolve a clareza que três xícaras de café não conseguem.
Por outro lado, se bate aquela tristeza ou melancolia sem motivo aparente, ficar parado ou deitado só piora. O corpo precisa de química, de endorfina. A saída é o exercício. Pode ser puxar ferro ou só fazer uns polichinelos. O movimento muda a emoção.
E o estresse? Aquele momento que você quer jogar o monitor pela janela? Geralmente é sinal de saturação do ambiente. A melhor coisa é sair para caminhar. Mudar o cenário, ver gente, ver árvores, sair da caixa de concreto.
As armadilhas da rotina
A gente também precisa falar da tal preguiça. Muitas vezes, o que chamamos de preguiça é, na verdade, um ciclo de dopamina barata.
Você não consegue trabalhar porque o celular está mais interessante. O antídoto é meio óbvio, mas difícil de engolir: reduzir o tempo de tela. Se afaste do aparelho. O tédio, curiosamente, é um ótimo combustível para a produtividade voltar.
Se o sentimento for raiva – cliente chato, bug no sistema, boleto surpresa -, não adianta tentar “raciocinar” na hora. A emoção é muito crua.
Colocar uma música que você gosta altera a frequência cerebral quase que instantaneamente. É como mudar a estação do rádio.
Por fim, tem o temido burnout ou aquela estafa mental de quem já viu a mesma coisa mil vezes. Nesse caso, a mente precisa fugir, mas fugir para um lugar seguro. Ler é a melhor saída.
Um livro te transporta para outra realidade, descansa a parte do cérebro que resolve problemas e ativa a imaginação.
Não complique o que pode ser simples. Identifique o que está sentindo, aplique o antídoto e volte para o jogo.