Para ser bem sincero, essa obsessão do mercado em classificar todo mundo em caixinhas geracionais sempre me soou meio artificial.
A gente passa anos ouvindo falar dos Boomers, da Geração X, dos Millennials e da tal Geração Z, como se o ano de nascimento fosse a única coisa que definisse como alguém gasta dinheiro ou enxerga o mundo.
Mas tem um movimento acontecendo agora que me chamou a atenção, não pelo nome engraçadinho, mas porque reflete exatamente o que eu vejo na rua e nas reuniões de negócios. Estão chamando de Nold.
Nold vem da expressão “never old” – ou seja, quem se recusa a envelhecer.
Não estou falando daquela recusa estética de quem enche a cara de botox para parecer ter 20 anos. É algo mais profundo, comportamental.
Estamos falando de gente, geralmente ali pelos 45, 50 anos ou mais, que simplesmente não veste a carapuça de “idoso” que a sociedade (e o marketing preguiçoso) tenta empurrar goela abaixo.
O erro de ignorar quem tem dinheiro no bolso
O que mais me espanta no mundo dos negócios online é a cegueira seletiva. Todo mundo quer vender para o jovem de 20 anos que ainda está parcelando o primeiro smartphone, mas ignoram completamente o público que já tem a vida financeira resolvida, patrimônio acumulado e, o mais importante, vontade de viver.
Os Nolds não estão em casa fazendo tricô na frente da TV. Eles estão consumindo tecnologia de ponta, viajando para lugares exóticos, empreendendo e se mantendo ativos no mercado de trabalho. E não é só por necessidade, é por propósito.
Se você tem um e-commerce de óleos essenciais ou vende infoprodutos e sua comunicação é toda voltada para a “molecada”, sinto informar, mas você está deixando muito dinheiro na mesa. Essa turma não se enxerga nas propagandas de remédio para dor nas costas ou planos funerários. Eles querem ver experiências, lifestyle e inovação.
A tecnologia não é barreira para os Nolds, é ferramenta
Tem um mito gigante de que passar dos 50 significa virar um analfabeto digital. Isso acabou faz tempo. O perfil Nold domina o smartphone tão bem quanto qualquer garoto, com a diferença de que eles usam a tecnologia de forma mais pragmática.
Eles pesquisam, comparam e, quando decidem, compram produtos de ticket mais alto. Eu vejo isso acontecer direto.
Enquanto marcas brigam por atenção no TikTok com dancinhas, esse público está no Instagram ou no LinkedIn consumindo conteúdo denso, lendo artigos e buscando soluções reais para problemas reais. Eles têm menos paciência para enrolação e um faro muito mais apurado para promessas falsas – afinal, a experiência de vida conta muito nessas horas.
Reinventando a tal da aposentadoria
Outra ficha que precisa cair é sobre o conceito de parar de trabalhar. Para o Nold, a aposentadoria não é o fim da linha, é só uma mudança de fase. Muitos estão começando o segundo ou terceiro negócio agora.
Isso muda tudo para quem vende B2B ou serviços de consultoria. Você não está falando com alguém cansado, está falando com alguém que tem energia e, agora, tem também o tempo e o capital que não tinha aos 30.
É um consumidor exigente, claro, mas extremamente leal quando você entrega valor de verdade.
No fim das contas, rotular como “Nold” é só mais uma forma de o mercado tentar entender o óbvio: as pessoas estão vivendo mais e melhor. A idade cronológica virou apenas um detalhe no RG.
Para quem vive de vendas e negócios, entender que o envelhecimento mudou não é apenas uma questão sociológica, é uma questão de sobrevivência e inteligência comercial.
Quem continuar tratando quem tem mais de 50 anos como “velho” vai ficar falando sozinho, enquanto os concorrentes mais espertos estão faturando com quem realmente tem poder de compra.